Tu és o meu filho amado, em ti ponho todo o meu bem-querer

Publicado em 10/01/2015 | Categoria: Notícias |


liturgia

Reflexão para a Mesa da Palavra – Festa do Batismo do Senhor – Ano B

 

João Batista pregava, dizendo: ‘Depois de mim virá alguém mais forte do que eu. Eu nem sou digno de me abaixar para desamarrar suas sandálias. Eu vos batizei com água, mas ele vos batizará com o Espírito Santo.’ Naqueles dias, Jesus veio de Nazaré da Galileia, e foi batizado por João no rio Jordão. E logo, ao sair da água, viu o céu se abrindo, e o Espírito, como pomba, descer sobre ele. E do céu veio uma voz: ‘Tu és o meu Filho amado, em ti ponho meu bem-querer. Mc. 1,7-11

batismo 

Havia, num tempo bem remoto, um homem especial. Alguém de uma simplicidade e sabedoria a toda prova. Aprendera a viver com o mínimo necessário e era desse jeito que se sustentava. Ele, para mostrar que as pessoas eram tremendamente consumistas e pouco profundas, nunca se contentando com o que tinham, decidiu viver no deserto. Lá, em meio à secura e espinhos, foi que reparou no quanto pecadores somos. Um dia, este homem, na verdade um profeta, voltou à cidade. Veio com três objetivos: denunciar, com o seu modo de vida, que andávamos equivocados; anunciar pela sua boca, que algo de muito importante estava para acontecer e também batizar o povo, libertando-o dos seus pecados. Este homem, que só tinha olhos para o futuro, vivia na expectativa de que Deus estava vindo para a humanidade. Um dia, enquanto pregava e batizava na beira de um rio, viu chegar aquele que tanto esperava… O homem agora sentia ter realizado a sua missão. A salvação estava acontecendo ali diante dele.

Nosso Deus é o Deus das surpresas. Será que só delas? Acho que mais ainda. Nosso Deus, além das surpresas, tem horas que nos escandaliza. Usemos da imaginação e criemos a hipótese, maluca, de estarmos numa sociedade que muito pouco conhecia de Deus e nada sabia sobre Jesus.

Imaginemos então que nela, alguém bastante piedoso e estudioso das coisas do céu, desse o seguinte palpite: “olhem, venham cá me ouvir, trago-lhes uma novidade. Imagino que Deus, ao se encarnar no mundo, será batizado por um simples humano às margens de um rio”…

Alguém teria dúvidas de que tal pessoa seria chamada de louca e mesmo de blasfema? Diriam então para ela: “como é que pode imaginar que o todo poderoso, o todo puro, o todo bom será batizado por alguém, que pouco tem de poder, bem pequena é a sua pureza e é possuidor de uma bondade humana, quer dizer, ainda impregnada de egoísmos, como a gente?”

´Nada mais, nada menos do que isto é o que veio a acontecer na beira do Jordão. O Todo Poderoso, o Filho de Deus, o Senhor do Universo, abaixa a cabeça para ser batizado por um homem simples e rude, vindo do deserto.

Jesus entra na fila dos pecadores para ser batizado e isto é algo paradoxal e mesmo causador de escândalo. Onde já se viu um homem batizar Deus? João Batista, profeta, tem essa percepção e é por conta dela que diz ser incompetente e indigno até para abaixar e desamarrar as suas sandálias. Trata-se disto o que celebramos neste próximo domingo.

Naquela hora tão incrível, quando Jesus atendendo à sua vocação, dá início à missão de nos salvar, os céus se rasgam e Deus se manifesta. Interessante, que, no final da sua vida, veremos algo semelhante. Ao morrer na cruz, não mais será o céu a se rasgar, mas o véu do Templo é que estará rompido.

Mesmo parecendo tratarem-se de eventos distantes entre si, batismo e paixão se encontram, de variadas formas, bastante próximos. Ser batizado deve significar, também, que se está aberto para o acolhimento, com amor, da cruz que a vida se nos apresentar.

Deixemos lá fora a cena do distante Jordão e caminhemos, até outra, bem mais próxima, acontecida um dia na vida de cada um de nós. Que tal aproveitarmos a festa do batismo do Senhor, para imaginarmos o nosso?

Possivelmente, alguns de vocês que me acompanham, foram batizados já em idade das lembranças e da razão. Conto-lhes que sinto certa inveja de quem assim o foi, eis que podem se recordar, sem fazer maiores esforços, da cena do próprio batismo.

Para esta contemplação algumas coisas poderão ser úteis: as lembranças que por acaso tenho guardadas desse dia (roupas, santinhos, a vela, o certificado…); as conversas que posso ter com os mais velhos que fizeram parte da cena (caso ainda estejam conosco); as fotos do evento, ou mesmo uma visita à Igreja na qual ocorreu a celebração…

De vez em quando valerá a pena uma visita, com os olhos da imaginação, a esta cena. Trata-se de um dia muito importante na nossa vida, aquele no qual transpusemos a porta oficial do seguimento do Nosso Senhor.

Lembro-me de que um amigo me mostrava a gravação, nas costas do seu crucifixo levado no peito. Lá constavam além do seu nome, a data do nascimento e o dia do batismo. E me dizia serem aquelas duas as datas mais importantes na sua existência. O dia em que veio ao mundo e aquele no qual nasceu para Deus.


Perguntas para reflexão:

 

– O que sei do meu batismo?

– Que diferença faz na minha vida o fato de ser batizado?

– Quem foram os profetas que, como João Batista, me apresentaram o “Cordeiro de Deus?

– Em que dia fui batizado?

 

 

 

 

Fernando Cyrino

 



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