Mesa da Palavra

Publicado em 20/07/2012 | Categoria: Notícias |


Liturgia da Missa – Reflexões para a Mesa da Palavra

16º Domingo do Tempo Comum – Ano B – 22-07-2012

Os apóstolos voltaram e contaram a Jesus tudo o que tinham feito e ensinado. Havia ali tanta gente, chegando e saindo, que Jesus e os apóstolos não tinham tempo nem para comer. Então ele lhes disse: – Venham! Vamos sozinhos para um lugar deserto a fim de descansarmos um pouco. Então foram sozinhos de barco para um lugar deserto. Porém muitas pessoas os viram sair e os reconheceram. De todos os povoados, muitos correram pela margem e chegaram lá antes deles. Quando Jesus desceu do barco, viu a multidão e teve pena daquela gente porque pareciam ovelhas sem pastor. E começou a ensinar muitas coisas. Mc 6, 30-34

 

 

Os discípulos contam para Jesus o que fizeram e ensinaram

 

 

Pai e mãe, toda noite, ao chegarem do trabalho e antes que fosse ligada a televisão, reuniam-se com os filhos para ouvir deles tudo que tinham feito e ensinado naquele dia. Nessa conversa valorizavam as coisas boas realizadas e lhes chamavam a atenção para os erros. Perguntavam também sobre o que haviam aprendido, ou precisaram desaprender, para poder crescer.

Semana passada contemplamos Jesus a enviar seus discípulos para a missão. Agora os estamos vendo retornar. Voltam e ao se encontrar com seu Senhor irão lhe narrar, podemos imaginar com que alegria e entusiasmo, tudo aquilo que distantes dele puderam fazer e ensinar.

Talvez, a princípio, lá na missão estivessem um tanto quanto tímidos e temerosos. Por isto pouco realizavam e é bem provável até que tenham cometido enganos. Os ditados costumam conter grande sabedoria e um deles nos ensina que “quem faz pode errar, mas quem não faz, esse já está de antemão equivocado”. Na contação dos casos para Jesus, gosto de contemplá-los rindo dos seus erros e se alegrando de tudo que puderam fazer de bom.

Falavam e em seguida escutavam de Jesus as novas orientações, para que os equívocos cometidos não se tornassem em vão e pudessem aprender com eles. É importante saber que somos humanos e passíveis de falhas. Tem gente que tem tanto medo de errar que acaba paralisada e não faz nada. Imaginar que os discípulos cometeram enganos pode ajudar na libertação desses receios de que somos incompetentes para o serviço de Deus e dos homens (na verdade todo serviço prestado, se leva ao bem, é divino).

Mas eles não contavam para Jesus apenas o que tinham realizado. Falavam também do que haviam ensinado. O verbo ensinar tem dois irmãos inseparáveis. Tratam-se dos verbos aprender e desaprender. Ao se conjugar o primeiro, automaticamente, se estará dando conta também dos dois outros.

Quem ensina está sempre aberto ao aprendizado e para aprender é necessário deixar de lado coisas que não mais nos prestam, desaprendendo delas. Dizia o escritor mineiro Guimarães Rosa que “sábio é de repente quem aprende”. Por isto, ao vermos os discípulos ensinando, repararemos que acontece neles o aprendizado de novas coisas. Ou, no mínimo, de melhor se lidar com aquelas que já são conhecidas.

Os tempos da escola induzem-nos a ver os primeiros anos da vida como aqueles de aprendizado, enquanto na vida de adulto ocorre uma inversão e ela se apresenta voltada só para o ensinar. É pobre se pensar assim. Um amigo me dizia que naquele dia em que sentisse não ter mais o que aprender, iria rezar a Deus para que o buscasse, eis que nada mais haveria de cumprir na terra.

Ao ensinar os discípulos levavam às pessoas novidades, mostravam-lhes ênfases nas suas atitudes e comportamentos, ao mesmo tempo em que as faziam observar a existência de relações entre o que já possuíam e aquilo que agora acolhiam. Ensinar não é uma missão fácil, principalmente quando se trata de gente mais adulta que se acha pretensamente sabedora das coisas.

Imaginam-se cheias de muito aprendizado e por isto sentem dificuldade em largar mão daquilo que possuem e que não têm mais utilidade. A verdade é que se carrega pela vida afora muito peso morto. Vive-se envolto em ensinamentos antigos e que não trazem mais nenhum sentido à existência. Vem daí a necessidade do terceiro irmão: Para aprender é preciso “aprender a desaprender”.

Em relação à fé é possível que conheçamos pessoas que não aprenderam mais nada após seu tempo de catequese. Vivem de formatações da Verdade que não lhes dão mais sentido pleno e sua crença vai assim se tornando rasa até que um dia, como a lâmina d’água sob o sol, evapore totalmente. Essa gente vive como se quisesse manter a mesma dieta da primeira infância, ou mesmo pense que a roupa usada no dia da Primeira Eucaristia ainda lhe sirva.

Não que o que tenham aprendido seja errado, mas poderá bem ser que não seja mais adequado à fé de alguém adulto e que tenha passado por muitos aprendizados. Hora de desaprender do que não mais ajuda e nem faz falta, para assumir novas coisas. Não por acaso, o Senhor está sempre “fazendo novas todas as coisas”.

Todo cristão ensina. Isto não quer dizer que tenham que se colocar no púlpito ou à frente das salas de aula. Com certeza que alguns são chamados a este ministério. Mas a maioria irá ensinar não pela palavra, mas pelo seu testemunho e este é fundamental. Outro ditado sábio nos ensina que “a palavra convence, mas é o exemplo que arrasta”.

Missão cumprida é chegada a hora de descansar. Jesus leva seu time a um lugar deserto para que descanse, mas o povo não lhes dá tréguas. Chega antes na sua ânsia por sinais e pelos ensinamentos do Senhor. Jesus sente compaixão deles, porque pareciam “ovelhas sem pastor”. Assim, começa a lhes ensinar muitas coisas.

Há aqui duas reflexões interessantes. A primeira diz respeito à correria excessiva do mundo de hoje. A tecnologia que deveria facilitar a vida das pessoas, dando-lhes mais tempo, termina por roubar esse mesmo tempo. Para que se corre tanto? É preciso, de quando em quando, dar uma parada e se fazer este questionamento.

Outra vai nos falar dos pastores. É preciso apoiá-los mais, ajudá-los para que possam estar aptos a nos ajudar. Dar-lhes suporte e condições para que também descansem. Ver enfim o que estejam fazendo e que seja possível de se tornar parceiros deles.

Rezar é fundamental para que as vocações de pastores suscitadas pela Trindade, sejam percebidas pelos que são chamados a este serviço. Como nos tempos de Jesus o povo se sente perdido e na falta de bons pastores fica fácil de explicar a proliferação de templos nas nossas cidades…

 

Pistas para reflexão durante a semana:

 

– O que tenho feito como discípulo missionário?

 

– O que tenho aprendido e ensinado?

 

– De que preciso desaprender?

Fernando Cyrino



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