Horários de missa no dia de Finados

Publicado em 31/10/2015 | Categoria: Notícias |


 

 

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Dia 02 de novembro, dia de  Finados,  teremos missas:


 

Na Igrejinha Histórica: às 07h30m

 

No Cemitério de  Charitas:  às 9 e às 16 horas

 

 

 

 

 Finados: celebração da saudade e certeza

da vida que nunca se acaba 

 

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Liturgia da Missa – Reflexões para a Mesa da Palavra 

 

 

Quando Jesus chegou a Betânia encontrou Lázaro sepultado havia quatro dias. Betânia ficava a uns três quilômetros de Jerusalém. Muitos judeus tinham vindo à casa de Marta e Maria para as consolar por causa do irmão. Quando Marta soube que Jesus tinha chegado, foi ao encontro dele. Marta ficou sentada em casa. Então Marta disse a Jesus: “Senhor, se tivesses estado aqui, meu irmão não teria morrido, mas . Mas mesmo assim eu sei que o que pedires a Deus, ele te concederá”. Respondeu-lhe Jesus: “Teu irmão ressuscitará”. Disse Marta: “Eu sei que ele ressuscitará na ressurreição, no último dia”. Então Jesus disse: “Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, Mesmo que morra, viverá. E todo aquele que vive e crê em mim não morrerá jamais. Crês isto?” Respondeu ela: Sim, Senhor, eu creio firmemente que tu és o Messias, o Filho de Deus, que devia vir ao mundo”. Jo 11, 17-27)

Um jornalista, por haver denunciado injustiças, estava condenado à morte pelos paramilitares do seu pais. Vendo-se assim publicou carta na qual dizia não sentir medo. Condená-lo à morte, ele considerava, nada mais era do que “ameaçá-lo” da vida eterna na felicidade de Deus”.

O mistério da morte ronda-nos constantemente. Há todo momento damo-nos conta da fragilidade da existência. Ao reparar, principalmente quando da partida de entes mais próximos e queridos, quão delicada é a vida sobre a Terra, o ser humano se assusta e daí costuma nascer o medo.

Brota intermitente a pergunta: Para aonde estão indo os nossos mortos? Será que a vida se resume somente a esse tempo dentro do qual aqui existimos? Ela, como dizia o poeta, é simples jogo no qual a vida toma parte durante um tempo, até que se torne, de novo, esterco a adubar outras existências?

Hora então de provar a fé e a esperança. A vida é muito mais do que jogo que se inicia e se completa neste mundo. Somos criados com a chama da imortalidade. Filhos de um Pai que nos quer para sempre, estamos predestinados, desde que fomos gerados à eternidade.

Não haveria melhor forma para adentrar este mistério do que celebrar nele a memória das pessoas queridas que já vivem no colo acolhedor do Pai. Finados é tempo propício para reafirmarmos essas duas virtudes teologais que, conforme nos ensina São Paulo, um dia passarão. A fé no carinho e cuidado de Deus para conosco e a esperança de que nosso caminho nos leva a um destino imenso e maravilhoso: a ressurreição.

Ressuscitar, em definitivo não foi o que aconteceu com o amigo de Jesus naquele momento de dor e saudade em Betânia. Ele volta à vida humana na terra e não à vida infinita de Amor em Deus. Lázaro, João mesmo irá nos contar adiante, morrerá. Ressurreição é incomparavelmente maior do que a simples revivificação de um cadáver.

Nosso destino é o céu. Somos criados para viver imersos no carinho de Deus. Ele ama seus filhos e é competente o bastante (é todo poderoso) para não perder ninguém que queira se salvar. É desse jeito o Pai apresentado por Jesus. “Eu e o Pai somos um”. “Quem me vê, vê o Pai”, Ele está a nos dizer.

Uma simples passada por duas parábolas do Evangelho nos confirmará isto: Um pai tinha dois filhos. Um deles resolve ir embora e longe se vê miserável. Resolve retornar porque sente fome. O pai vai à rua recebê-lo e faz tremenda festa. Afinal seu filho voltou. Um pastor tem cem ovelhas. Uma delas se perde. Ele deixa as noventa e nove no curral e vai buscar a extraviada. Ao encontrá-la volta feliz e comemora com os amigos o resgate da sua criação.

Fruto duma visão equivocada deste Pai tão bom, podemos ter assumido vida afora uma imagem falsa do Deus de Jesus. É possível que tenhamos criado dentro do coração a imagem de um deus terrível. Pronto, não a salvar, mas a condenar, enviando ao inferno seus filhos.

Gente que pensa assim não conseguirá, obviamente, sentir Deus como Pai amoroso. Essas pessoas terminam por enxergá-lo como o “grande justiceiro”. Um deus contabilista a ponderar constantemente nossas ações para verificar ao final o destino daquele seu filho.

Deus é justo, mas a sua justiça nunca vem sozinha. Ela está sempre acompanhada da misericórdia. Ele não pune a ovelha fujona e muito menos o filho que foi embora. De maneira alguma cobra dos dois por terem se afastado do seu Amor. Ao contrário, Ele só acolhe e festeja: “meu filho estava morto e voltou a viver”.

Deus é diferente da gente. Nossa justiça anda separada da misericórdia. Ou somos justos, ou somos misericordiosos, dependendo da situação. Deus é justo e misericordioso em qualquer tempo. Lembremo-nos disto ao nos recordar dos nossos e dos demais mortos. A misericórdia sempre acolhe, perdoa, cuida, Ama.

Precisamos imaginar Deus dizendo: “Meu filho ressuscitou e a sua ressurreição não se dá na perdição, mas na alegria da festa”. O Pai não está preocupado com o fato de o filho ter ou não voltado por Amor (ou arrependimento). Olhando mais de perto se verá que seu retorno é meramente porque sente fome e na casa do pai tem comida.

Não haverá então inferno? Claro que sim. Ele é aquela eterna possibilidade da negação absoluta do Amor, da bondade e misericórdia do Pai. O fechamento total e inexorável à felicidade tão ansiada por qualquer ser humano. Negar-se a Deus é, numa comparação por demais incompleta, como dizer ao ar: “eu não te quero, eu me recuso a respirar”.

Tal coisa é um absurdo e alguém que assim agisse seria logo diagnosticado como insano. Ou seja, para recusar o céu é preciso ser louco e os doidos são pessoas tremendamente sofredoras. Gente demais amada por Deus. Dá para imaginar alguém fora do seu juízo sendo jogado ao inferno pelo Pai?

Mas mesmo de maneira consciente podemos negar totalmente a Deus e por isto o inferno é possibilidade a ser, sempre considerada. Agora falar de céu é outra história. Ele é a nossa realidade. O caminho para o qual fomos criados. Esse momento de recordação dos mortos é também o tempo no qual recordamos e afirmamos que Deus sempre salva.

 

Pistas para reflexão durante a semana:

 

– Onde estão meus mortos?

– Creio que Jesus veio me salvar? Ou me colocar a perder?

– Que significa para mim que Deus é justo e misericordioso?

Fernando Cyrino



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