A Voz do Pastor – setembro

Publicado em 04/09/2014 | Categoria: Notícias |


 

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A conversão pastoral da paróquia

 

No dia 23 de agosto, na Paróquia da Santíssima Trindade do Vicariato Alcântara, aconteceu a Assembleia Arquidiocesana de Pastoral. Arcebispo, padres, diáconos, religiosas e cristãos leigos, em número aproximado de 350 participantes, estávamos representando as paróquias, pastorais e movimentos de nossa Arquidiocese. Nesta Assembleia, eu fiz a apresentação do documento 100 da CNBB sobre a paróquia: COMUNIDADE DE COMUNIDADES. A mesma dificuldade que enfrentei para escrever a palestra estou encontrando para escrever esse artigo. É que o Documento 100 é muito rico, ousado, desafiador, corajoso. Grande demais para caber numa palestra ou num artigo. Por isso, peço que entrem em contato com o Documento 100. Que o leiam, o analisem, o manipulem, sublinhem, façam como que ele seja seu. Porque ele é seu. Foi pensado para você.

 

Começo perguntando o que você pensa sobre a comunidade onde vive e se dedica à construção do Reino. Como é a sua comunidade? Como deveria ser? Como são os contornos pastorais dela? Rígidos? Laxos? A estrutura paroquial enfrenta todos os desafios, porque foi construída tendo por referência a estrutura rural das pequenas cidades. As grandes cidades trouxeram novos desafios dos quais também a estrutura paroquial não ficou fora. Desafios são sempre bons: são revitalizantes. Sem desafio, a vida ficaria estagnada e estéril.  O Documento 100 é dividido em 6 capítulos:

Capítulo 1 – SINAIS DOS TEMPOS E CONVERSÃO PASTORAL. É o capítulo dos desafios.

Capítulo 2 – PALAVRA DE DEUS, VIDA E MISSÃO NAS COMUNIDADES. É a fundamentação bíblica do Documento 100.

Capítulo 3 – SURGIMENTO DA PARÓQUIA E SUA EVOLUÇÃO. Nesse capítulo vemos a história do desenvolvimento do conceito e da prática paroquial.

Capítulo 4 – COMUNIDADE PAROQUIAL. Esse é o capítulo da fundamentação teológica.

Capítulo 5 – SUJEITOS E TAREFAS DA CONVERSÃO PAROQUIAL. Esse capítulo trata de todos nós, sujeitos de uma nova conversão pastoral.

Capítulo 6 – PROPOSIÇÕES PASTORAIS. Esse é o capítulo dos novos tempos, novas urgências e esperanças.

 

O tom do Documento 100 é dado já no parágrafo 1. “Há séculos a paróquia tem sido a presença pública da Igreja nos diferentes lugares. Ela é referência para os batizados. Sua configuração social, entretanto, tem sofrido profundas alterações nos últimos tempos. A mudança de época da sociedade e o processo de secularização diminuíram a influência da paróquia sobre o cotidiano das pessoas. Há dificuldades para que seus membros se sintam participantes de uma autêntica comunidade cristã. Cresce o desafio de renovar a paróquia em vista da sua missão.”

A grande preocupação não parece tanto ser a da diminuição da influência da paróquia sobre o cotidiano das pessoas, mas as dificuldades de inserção dos fiéis na comunidade cristã. Aumentou a complexidade da vida. E os homens e mulheres ou foram deixados ou foram se deixando ficar à margem da comunidade cristã, tornando-se expectadores ou consumidores do espaço da fé. “Qual é a situação de nossas paróquias hoje? Quais são as causas de certo esfriamento na comunidade cristã? O que é preciso perceber para que ocorra uma mudança? Que aspectos merecem revisão urgente? O que é possível propor e assumir na pluralidade da realidade brasileira?” (Doc. 100, 7).

Por isso, formar pequenas comunidades é a proposta do Documento 100, o modelo de uma nova vida paroquial. “Basicamente, a conversão pastoral da paróquia consiste em ampliar a formação de pequenas comunidades de discípulos convertidos pela Palavra de Deus e conscientes da urgência de viver em estado permanente de missão. Isso implica em revisar a atuação dos ministros ordenados, consagrados e leigos, superando a acomodação e o desânimo. O discípulo de Jesus Cristo percebe que a urgência da missão supõe desinstalar-se e ir ao encontro dos irmãos.” (Doc. 100, 8).

Duas coisas são pedidas. Revisão: é preciso revisar a atuação de todos os ministros. E urgência: o discípulo tem urgência. Não tem pressa, tem urgência.

 

O capítulo 1 – SINAIS DOS TEMPOS E CONVERSÃO PASTORAL é rico, lindo e profundo: todo inspirado no Documento Gaudium et Spes, do Concílio Vaticano II. Aos novos, será preciso falar da Teologia da Esperança que impactou aquele Concílio. No início da década de 60, auge da Guerra Fria entre as potências militares da época, a esperança era a palavra mais linda que havia, aquela que mais tocava a realidade do momento, o rosto que a Igreja queria ter, a própria imagem do Deus da Revelação. Por isso, Gaudium et Spes: alegria e esperança.

Mas o meu espaço, aqui, acabou. Podemos nos encontrar aqui, no próximo mês, para ler o Documento 100 com o olhar da Igreja que está em Niterói, essa Igreja pujante e alegre, de gente do bem, que quer se entregar ao Bem Maior.

Volto meu olhar para o “grande sinal que apareceu no céu: uma Mulher vestida de sol”. Essa Mulher é a Igreja, cuja melhor representante é Maria. Ela nos dá constantemente à luz o Filho. O dragão, as forças implacáveis do sistema, sempre vai querer engolir o Filho que nos vem no seio da Igreja. Enquanto o Filho for arrebatado, a Mulher, a Igreja se recolherá ao deserto da alma, para repensar o pensamento, rever ações, avaliar resultados, reformar comportamentos, renovar o amor primeiro. Essa é a essência do Documento 100. Que ele nos renove por sua proximidade.

 

Até outubro, com mais Documento 100. A todos a minha bênção e meu carinho, sempre, sempre.

 

+ Dom José Francisco Rezende Dias

Arcebispo Metropolitano de Niterói

 

Fonte: Arquidiocese de Niterói

 



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