O Espírito Santo nos dá coragem

Publicado em 23/05/2015 | Categoria: Notícias |


pentecostes
Liturgia da Missa – Reflexões para a Mesa da Palavra –  Pentecostes 
Naquele mesmo domingo, à tarde, os discípulos de Jesus estavam reunidos de portas trancadas, com medo dos líderes judeus. Então Jesus chegou, ficou no meio deles e disse: – Que a paz esteja com vocês! Em seguida lhes mostrou as suas mãos e o seu lado. E eles ficaram muito alegres ao verem o Senhor. Então Jesus disse de novo: – Que a paz esteja com vocês! Assim como o Pai me enviou, eu também envio vocês. Depois, soprou sobre eles e disse: – Recebam o Espírito Santo. Se vocês perdoarem os pecados de alguém, esses pecados são perdoados; mas, se não perdoarem, eles não são perdoados.
Três histórias bem atuais:
1 – O Papa Francisco, animado pelo sopro do Espírito, propõe-nos uma Igreja em saída. Uma Igreja que se insira, cada dia mais, no mundo. Uma Igreja aberta para acolher as pessoas onde elas se encontram, levando para elas a Boa Nova do Senhor. 2 – Na falta de um sentido maior de vida, jovens resolvem, covardemente, espancar morador de rua no Rio de Janeiro. Do outro lado da avenida o rapaz, que até aquele momento se mostrava de tudo alienado e só pensava em si, observa a cena. Num átimo, corre em defesa do mendigo. Consegue salvá-lo, mas está desfigurado. Permanece internado por longo tempo para que fossem curadas as várias fraturas do rosto e corpo. 3 – Na Guatemala jovem catequista num bairro pobre é obrigado a participar da violenta gangue do lugar. Recusa-se a aderir e é de imediato assassinado. A força de Pentecostes se mantém viva suscitando atos de coragem, justiça e paz. Jesus não está mais presente e, como vimos semana passada, na sua ausência a crise logo se instala em meio aos seguidores. Quando o Senhor se vai eles, se achando sozinhos, passam a sofrer tremendo medo. Por isto se encontram fechados no cenáculo. Em Pentecostes, esta imensa festa de nossa fé cristã, acontece uma efusão dos inúmeros dons do Espírito Santo (sabemos quão simbólico é o número Sete). A soma de todos eles gera um poder imenso. É combustível capaz de lançá-los, intrépidos, rumo ao mundo. Nesse sentido a celebração de Pentecostes pode ser vista como a grande celebração do dom da coragem na Igreja. A palavra coragem deriva etimologicamente de coração. Agir com coragem é atuar com o coração e este nunca poderá ser a casa onde fique instalado o medo. Coração, definitivamente, não rima com medo. Até Pentecostes os discípulos agiam com a razão. Tinham consciência da humana fraqueza e da incapacidade da luta. Imersos nos pensamentos dão-se conta do medo e quedam-se paralisados. Ao sentir o temor, a tática automaticamente escolhida é a de se manterem escondidos. O que buscam é aquilo que lhes parece ser mais racional. Daí a se fecharem numa casa, por medo dos judeus, foi só mais um simples passo. A coragem de Pentecostes é tanta que irá provocar uma total reviravolta na Igreja. A explosão arranca as portas e janelas expondo quem lá dentro estava. É preciso partir para a realidade do mundo e enfrentá-lo com o vigor da Palavra que o Senhor lhes tinha deixado.

Pentecostes deve representar a grande virada de uma Igreja defensiva e voltada para si mesma, para um modelo de Igreja aberto ao mundo. Do “ad intra” confortável e comedido, para o “ad extra” desafiador e corajoso da missão.

Uma pena que muitas vezes, nesses dois mil anos da Igreja, nos esquecemos da presença do Espírito do Senhor conosco e caímos paralisados pelo medo. Nessas horas nos vimos assustados e como não sabíamos lidar com a realidade, por não conseguir perceber a coragem que o Espírito nos presenteava, terminávamos por nos fechar como naquele dia, tornando-nos “Igreja castelo” com fossos e muralhas a serem defendidos do mundo.

Para não cairmos de novo nessa tentação, bem além de um momento histórico, devemos perceber Pentecostes como a abertura do coração para captá-lo e acolhê-lo. Pentecostes são muitos. O Espírito é dom, presente de Deus para seus filhos, estando sempre à disposição. Mais que pedir que Ele venha, quem sabe não seja melhor rezar para que o percebamos no coração.

Por isto Ele sopra onde quer e há de querer agir sempre que gente de boa vontade, se coloque disponível para recebê-lo. Já no relato da criação do mundo iremos ver, na linda linguagem poética do Gênesis, que Ele paira sobre as águas. Ele sempre “está”. O que pode ser diferente é a percepção que temos da sua presença em nós. O que ocorreu no cenáculo foi que os discípulos se colocaram atentos à sua passagem. Assim que o sentem ali com eles, correm a assumi-lo com o coração.

O Espírito Santo é plena e totalmente livre. Ele não se prende a nenhum tipo de limites para sua atuação. Ninguém e nenhuma instituição podem se arvorar em serem donos dele. Esta é uma tentação que pode ser sutil e delicada, mas que ao fim se configura terrível. Principalmente nós que somos, de uma ou outra forma, lideres na Igreja, precisamos tomar grande cuidado com ela.

É do seio desse Espírito de liberdade que nos vem os carismas. Na Igreja, não raras vezes, eles foram confundidos com uma efusão que se daria, muito mais no seio da hierarquia, que no povo de Deus e também no mundo. Reduzidos apenas aos círculos eclesiásticos chegou-se até a confundir o carisma como sendo instrumento de poder.

Tal engano gerou situações tristes no seio da Igreja. Carismas são instrumentos de serviço e doação para os demais e em nenhum momento devem ser usados em proveito próprio, ou da instituição em si mesma.

Apesar do Pentecostes que celebramos e dos tantos e tantos outros que acontecem desde sempre, o mundo continua injusto, violento, discriminador, indiferente, individualista, com fome e cheio de guerras…

Nessa semana da grande festa do Paráclito a sugestão é que nos façamos uma pergunta: Será que cremos mesmo no Espírito Santo? Acaso acreditássemos de coração o mundo estaria desse jeito que o experimentamos?

Pistas para reflexão durante a semana:

Para aonde está me levando o Espírito?

– Tento “dirigir” o Espírito Santo?

– Reconheço ter havido algum ou vários “Pentecostes” em minha vida e da minha família?

Imagem: Pentecost – Duccio di Buoninsegna (1308)

 

Fernando Cyrino


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