Jesus nos oferece a água viva.

Publicado em 18/03/2017 | Categoria: Mesa da Palavra Notícias |


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Liturgia da Missa – Reflexão sobre a Mesa da Palavra 

Ano A – Terceiro Domingo da Quaresma

Era uma vez um poço que tinha uma água maravilhosa e ao qual pouca gente ia. O nome dela era Água Viva.  Como todo poço aquele também era ligado aos seus irmãos por baixo da terra. Eles no fundo eram um poço só e se comunicavam. O poço vazio reclamou numa reunião que sentia falta de mais gente freqüentá-lo. Foi então que teve uma surpresa. Os outros poços disseram que também não eram bem procurados. Resolveram pesquisar o porquê de estar acontecendo aquilo. Afinal a água que dentro deles havia era vital para a humanidade e a faria chegar à vida eterna. E foi aí que descobriram que as pessoas tinham encontrado outros poços e que neles se enchiam de águas que não eram vivas. “Que poços são esses?” Perguntou um que não participara diretamente da pesquisa de campo. “Ah, os homens andam muito ocupados correndo de um lado para o outro e os poços onde vão beber oferecem uma água que somente os sacia momentaneamente. Em seguida já se encontram de novo sedentos…” E lhes foi listando vários pontos descobertos na enquete que haviam feito. Estava lá na lista a televisão, a internet, o comodismo, o consumismo, a preguiça, o medo da violência, os jogos de computador, a bebida e até outras drogas”.    
    
A consciência ecológica e a maior informação sobre o que acontece em outras partes do mundo, trazem-nos a consciência da riqueza da água em nossas vidas. O fato de vivermos num país que a possui em abundância na maior parte do seu território, não sendo poucos os exemplos que temos de esbanjamento, dificulta-nos perceber a profundidade dos símbolos que a Liturgia traz nesse domingo.

Vivendo numa região de pouca água, além de pobre, num tempo no qual não se tinha condições para que fosse armazenada em maior volume, a água era bem muito precioso dentro da vida e cultura do povo. Por isso os personagens desse encontro de Jesus e os leitores do Evangelho de João possuíam capacidade bem superior à nossa para dimensionar todo o simbolismo contido na história.

O relato joanino se inicia nos dando os elementos para que possamos compor em detalhes a cena. Ele nos dá a hora e o local do fato, além de contextualizá-lo: tratava-se de um sítio histórico. Dá-nos também condições de sentir como chega Jesus. Ele está cansado e de imediato se senta à beira do poço. Diferentemente dos sinóticos, João tem o seu Evangelho muito mais elaborado e simbólico. Por isso me é consolador perceber o detalhe tão humano do cansaço na sua narração.

O cuidado em nos mostrar a humanidade de Jesus continua ao sabermos que Ele tem sede. Por isso pede que a mulher que chega ao poço, para suprir de água sua casa lhe dê de beber. Ela se assusta por dois motivos. Um homem nunca poderia se dirigir a uma mulher na rua. O outro ponto do seu choque foi porque quem ali lhe falava era um judeu e o povo hebreu considerava os samaritanos como hereges, impuros e pecadores.

Para Jesus não interessa nada disso. Importa incluir aquela pessoa no chamado da salvação. Ele vai então, pedagogicamente, conduzindo a conversa para que ela pudesse compreender o que trazia e assim aceitá-lo como seu salvador. Assim devem ser também nossos encontros com o Senhor. Acostumados a querer ter controle de tudo gostamos de conduzir a oração. Ao tomar essa atitude inibiremos o Senhor não deixando espaço para que Ele fale e aja em nós. A samaritana tão excluída  ensina como devemos conversar com Jesus.

Duas águas correm através desse trecho. A primeira é a água da sede nossa de todo dia. Aquela que o que chega cansado ao meio dia à beira do poço sente necessidade. Bebê-la satisfaz por um tempo e nos mantém a vida, sem ela morreríamos em poucos dias. Só que ela é insuficiente para a profundeza do coração humano. Fomos criados para outra água e é dela que Jesus quer falar à samaritana.  

A água viva é o dom de Deus, o próprio Cristo. Ao inserir na conversa essa nova dimensão, o evangelista vem nos trazer a outra face de Cristo. Ele nos mostra a sua divindade. Somente Deus pode nos dar uma água que seja capaz de nos levar para a vida eterna. E a mulher compreende isto se tornando discípula. Ela não tem preconceitos, ouve, abre o seu coração para o que escuta, acredita e vai testemunhar junto aos seus o que acaba de viver.  
       
Na primeira leitura vemos o povo da Bíblia sedento no deserto e com saudades da água do Egito. Lá nós éramos escravos, mas pelo menos não passávamos fome e sede. Moisés pede e Deus lhes dá da água de todo dia.

Jesus vai muito mais além dando-nos da água que preenche o coração e que não faz com que sintamos mais a sede da falta de sentido.

Não faz muito tempo soube da história de um preso que depois de cumprir longa pena fora solto. Depois de curto período ele foi pego furtando e disse que fizera aquilo para ser preso novamente. Não se adaptava mais à liberdade. Nós também podemos ter essa tentação. É possível que nos perguntem se queremos ser felizes, ou livres e que respondamos que nos deem a felicidade.

Só que essa é uma escolha falsa. A liberdade é que nos leva ao crescimento para que nos sintamos como verdadeiros filhos de Deus. Sem nos sentirmos livres não enfrentamos o deserto e nem encontraremos Jesus como a samaritana. A liberdade amedronta e é custosa.  

Ela exige que nos tornemos adultos e pode ser, como o foi para o povo hebreu, assustadora, pois nos corta dependências às quais fomos acostumados, algumas até que podem ter se tornado, pelo seu longo tempo de existência, doentias. Faz com que tomemos as próprias decisões e nos responsabilizemos por elas, não ficando esperando dos outros e de Deus aquilo que nós mesmos devemos buscar.

Apesar de ser a protagonista, junto com Jesus, dessa linda cena, não sabemos o nome da samaritana. Na Bíblia quando os personagens deixam de ser nomeados é porque se sugere que nos coloquemos neles. Somos convidados a sair de casa para irmos até o “poço” para encontrar Jesus.

Por último vale lembrar que a Igreja primitiva usava esse Evangelho como parte importante da preparação dos catecúmenos para o Batismo, que se dava por ocasião da Páscoa. Que ele seja também para nós alimento para reavivarmos a fé e coragem para confirmarmos, no seguimento de Jesus, o nosso próprio Batismo.

Para refletir durante a semana:

– Onde está o poço onde encontro Jesus?

– Tenho buscado da Água Viva?

– Como viver daqui por diante o Batismo?   

 

1ª Leitura – Ex 17,3-7
Naqueles dias: O povo, sedento de água, murmurava contra Moisés e dizia: ‘Por que nos fizeste sair do Egito? Foi para nos fazer morrer de sede, a nós, nossos filhos e nosso gado?’ Moisés clamou ao Senhor, dizendo: ‘Que farei por este povo? Por pouco não me apedrejam!’ O Senhor disse a Moisés: ‘Passa adiante do povo e leva contigo alguns anciãos de Israel. Toma a tua vara com que feriste o rio Nilo e vai. Eu estarei lá, diante de ti, sobre o rochedo, no monte Horeb. Ferirás a pedra e dela sairá água para o povo beber’. Moisés assim fez na presença dos anciãos de Israel. E deu àquele lugar o nome de Massa e Meriba, por causa da disputa dos filhos de Israel e porque tentaram o Senhor, dizendo: ‘O Senhor está no meio de nós, ou não?’
 
2ª Leitura – Rm 5,1-2.5-8
Irmãos: Justificados pela fé, estamos em paz com Deus, pela mediação do Senhor nosso, Jesus Cristo. Por ele tivemos acesso, pela fé, a esta graça, na qual estamos firmes e nos gloriamos, na esperança da glória de Deus. E a esperança não decepciona, porque o amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado. Com efeito, quando éramos ainda fracos, Cristo morreu pelo ímpios, no tempo marcado. Dificilmente alguém morrerá por um justo; por uma pessoa muito boa, talvez alguém se anime a morrer. Pois bem, a prova de que Deus nos ama é que Cristo morreu por nós,
quando éramos ainda pecadores.
 
Evangelho – Jo 4,5-42
Naquele tempo: Jesus chegou a uma cidade da Samaria, chamada Sicar, perto do terreno que Jacó tinha dado ao seu filho José. Era aí que ficava o poço de Jacó. Cansado da viagem, Jesus sentou-se junto ao poço. Era por volta do meio-dia. Chegou uma mulher da Samaria para tirar água. Jesus lhe disse: ‘Dá-me de beber’. Os discípulos tinham ido à cidade para comprar alimentos. A mulher samaritana disse então a Jesus: ‘Como é que tu, sendo judeu, pedes de beber a mim, que sou uma mulher samaritana?’ De fato, os judeus não se dão com os samaritanos. Respondeu-lhe Jesus: ‘Se tu conhecesses o dom de Deus e quem é que te pede: ‘Dá-me de beber’, tu mesma lhe pedirias a ele, e ele te daria água viva.’ A mulher disse a Jesus: ‘Senhor, nem sequer tens balde e o poço é fundo. De onde vais tirar a água viva? Por acaso, és maior que nosso pai Jacó, que nos deu o poço e que dele bebeu, como também seus filhos e seus animais?’ Respondeu Jesus: ‘Todo aquele que bebe desta água terá sede de novo. Mas quem beber da água que eu lhe darei, esse nunca mais terá sede. E a água que eu lhe der se tornará nele uma fonte de água que jorra para a vida eterna.’ . A mulher disse a Jesus: ‘Senhor, dá-me dessa água, para que eu não tenha mais sede e nem tenha de vir aqui para tirá-la.’ Disse-lhe Jesus: ‘Vai chamar teu marido e volta aqui’. A mulher respondeu: ‘Eu não tenho marido’.
Jesus disse: ‘Disseste bem, que não tens marido, pois tiveste cinco maridos, e o que tens agora não é o teu marido. Nisso falaste a verdade.’ A mulher disse a Jesus:  ‘Senhor, vejo que és um profeta! Os nossos pais adoraram neste monte mas vós dizeis que em Jerusalém é que se deve adorar’. Disse-lhe Jesus: ‘Acredita-me, mulher: está chegando a hora em que nem neste monte, nem em Jerusalém adorareis o Pai. Vós adorais o que não conheceis. Nós adoramos o que conhecemos, pois a salvação vem dos judeus. Mas está chegando a hora, e é agora, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e verdade. De fato, estes são os adoradores que o Pai procura. Deus é espírito e aqueles que o adoram devem adorá-lo em espírito e verdade.’ A mulher disse a Jesus: ‘Sei que o Messias (que se chama Cristo) vai chegar. Quando ele vier, vai nos fazer conhecer todas as coisas’. Disse-lhe Jesus: ‘Sou eu, que estou falando contigo’. Nesse momento, chegaram os discípulos e ficaram admirados de ver Jesus falando com a mulher. Mas ninguém perguntou: ‘Que desejas?’  ou: ‘Por que falas com ela?’ Então a mulher deixou o seu cântaro e foi à cidade, dizendo ao povo: ‘Vinde ver um homem que me disse tudo o que eu fiz. Será que ele não é o Cristo?’ O povo saiu da cidade e foi ao encontro de Jesus.
Enquanto isso, os discípulos insistiam com Jesus, dizendo: ‘Mestre, come’. Jesus, porém disse-lhes: ‘Eu tenho um alimento para comer que vós não conheceis’. Os discípulos comentavam entre si: ‘Será que alguém trouxe alguma coisa para ele comer?’ Disse-lhes Jesus: ‘O meu alimento é fazer a vontade daquele que me enviou e realizar a sua obra. Não dizeis vós: `Ainda quatro meses, e aí vem a colheita!` Pois eu vos digo: Levantai os olhos e vede os campos: eles estão dourados para a colheita! O ceifeiro já está recebendo o salário, e recolhe fruto para a vida eterna. Assim, o que semeia se alegra junto com o que colhe. Pois é verdade o provérbio que diz: `Um é o que semeia e outro o que colhe`. Eu vos enviei para colher aquilo que não trabalhastes. Outros trabalharam e vós entrastes no trabalho deles.’ Muitos samaritanos daquela cidade abraçaram a fé em Jesus, por causa da palavra da mulher que testemunhava: `Ele me disse tudo o que eu fiz.` Por isso, os samaritanos vieram ao encontro de Jesus e pediram que permanecesse com eles. Jesus permaneceu aí dois dias. E muitos outros creram por causa da sua palavra. E disseram à mulher: ‘Já não cremos por causa das tuas palavras, pois nós mesmos ouvimos e sabemos, que este é verdadeiramente o salvador do mundo.’

Fernando Cyrino


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