Nossa fé diante do momento eleitoral – Orientações para as eleições

Publicado em 13/08/2018 | Categoria: Notícias Slideshow Home |


Nós, bispos do Regional Leste 1, após ouvir leigos e padres de nossas dioceses, apresentamos algumas orientações para o momento eleitoral que se aproxima. Embora nos dirijamos aos católicos, desejamos que nossa palavra chegue a cada eleitor do Estado do Rio de Janeiro, suscitando reflexão e diálogo, a fim de que o voto seja consciente e responsável. Unimo-nos aos bispos de todo o Brasil, cuja mensagem foi apresentada na assembleia deste ano (CNBB, Eleições 2018: compromisso e esperança, Aparecida, 17 de abril de 2018).

Falamos a partir da fé, na certeza de que “ninguém nos pode exigir que releguemos a religião para a intimidade secreta das pessoas, sem qualquer influência na vida social e nacional, sem nos preocupar com a saúde das instituições da sociedade civil, sem nos pronunciar sobre os acontecimentos que interessam aos cidadãos” (Papa Francisco, Evangelii Gaudium 283). Estamos certos de que “o amor social nos impele a pensar em … uma cultura do cuidado que permeie toda a sociedade. (Papa Francisco, Laudato Si’ 231).

Conscientes de que toda eleição é um passo a mais no amadurecimento da democracia e no exercício da fé que também é cidadã, não podemos fechar os olhos para o atual momento da história de nosso país e de nosso Estado. Vivemos um momento crítico e as eleições deste ano se tornaram um desafio ainda maior, aumentando a importância de nosso voto. Embora não seja a única solução, ele é um caminho indispensável para que a democracia se solidifique e o povo de todo o Brasil e de nosso querido Estado do Rio encontrem a paz.

Neste Ano do Laicato, lembramos que “os fiéis leigos não podem absolutamente abdicar da participação na política destinada a promover o bem comum”. Por isso, louvamos todas as pessoas que, nas variadas formas de engajamento, atuam para que o bem comum, em especial dos mais pobres e vulneráveis, seja defendido.

Temos consciência de que não apresentamos aqui respostas prontas. Acreditamos no discernimento feito em oração e diálogo. Por isso, desejamos contribuir, à luz do Evangelho e da Doutrina Social da Igreja, para estimular a participação e o discernimento de cada pessoa e grupo, considerando o tempo muito curto até as próximas eleições, num cenário onde as informações não chegam com a desejada clareza.

Voto: direito e dever, responsabilidade e missão!

Não se abstenha de votar! Não vote em branco! Não anule seu voto! Não se deixe conduzir pelo desânimo e a descrença! Compareça à urna e indique claramente quem você deseja que ocupe funções tão importantes para o bem da nação, em várias de suas instâncias. Se existe frustração quanto a pessoas que no passado elegemos, nem por isso devemos nos esquecer de que existem pessoas éticas, corretas e bem-intencionadas em contribuir para um país mais justo, solidário e desenvolvido, que exigirá de nós um esforço maior de pesquisa e discernimento.

Lembre-se de que não existem votos definitivos. Ao contrário, o retorno periódico às urnas é uma garantia de que a democracia se fortalece exatamente pela contínua escolha e posterior vigilância de que o prometido em campanha seja cumprido no mandato.

Busque se informar a respeito do sistema eleitoral brasileiro e do modo como, a partir dele, se contabilizam os votos. Perceba que, no atual sistema, não existe outra forma de manifestar o descontentamento e a frustração que não seja escolhendo candidatos. Sua omissão pode contribuir para que tudo que você abomina acabe por se perpetuar.

Voto: exercício da consciência

Não deixe que ninguém escolha por você. Busque, na oração, na reflexão e no diálogo quem apresente as melhores condições possíveis para contribuir com paz, a justiça e o bem comum. Em nossos dias, sofremos pressões de todos os lados, com notícias e mensagens que entram em nossas casas sem serem convidadas, com o perigo de se instalarem em nossas consciências e corações. Só o diálogo em família e com os amigos é capaz de ajudar no discernimento.

Não se deixe levar pela falsa ideia de que não se deve conversar sobre política e escolha eleitoral. Esta ideia beneficia exatamente quem você não deseja ver cumprindo funções tão importantes. Fale, converse, interrogue e escute. Se uma amizade se abalar por causa de questões políticas e eleitorais, o que se deve rever é a amizade.

Por respeito à consciência de cada pessoa, não indicamos nomes, afirmando claramente que não existem candidaturas oficiais da Igreja. Indicamos critérios para o discernimento pessoal, pois o respeito à consciência é o ponto de partida para que o processo eleitoral transcorra de acordo com o Evangelho e a autêntica democracia. Por mais confiável que uma pessoa lhe possa ser, ela não tem o direito de simplesmente lhe dizer em que você deve votar. Por mais que você experimente a insegurança, não lhe é dado o direito de passar a outrem a decisão de em quem votar.

Voto: princípios e valores depositados na urna

Ao refletir sobre candidatos e partidos, você sabe que não pode apoiar quem, de algum modo, defenda valores contrários ao Evangelho. Por isso, verifique se as propostas apresentadas realmente defendem a vida, a família, os pobres, liberdade religiosa, saúde, educação, moradia, geração de renda e o direito a usufruir de um meio ambiente livre de poluição.

Não restrinja sua escolha à questão da segurança no sentido restrito da palavra. Esta, sem dúvida, é uma questão cada dia mais grave. No entanto, é necessário compreender a segurança no horizonte da justiça social, buscando propostas que, entre outros aspectos, se preocupem de verdade com a fome, a falta de trabalho e moradia, as migrações forçadas e a concreta recuperação dos apenados. A segurança tem várias dimensões que precisam ser integradas: social, alimentar e nutricional, sanitária e saúde, ambiental, digital e informática, entre outras.

Ao conversar com quem se apresenta pedindo seu voto, examine com que tipo de sociedade esta pessoa está comprometida. Verifique também se ela possui clareza da função que vai exercer. Desconfie quando lhe forem feitas promessas que não poderão ser cumpridas porque não dizem respeito à função pleiteada.

Não caia na armadilha do favorecimento imediato para si, parentes e amigos, nem para a comunidade. Essas ajudas mostram que o verdadeiro interesse do candidato é apenas conseguir seu voto. Quem faz isso durante o processo eleitoral, o que não fará depois de eleito? Não se venda nem venda seu voto por benefício algum. Não existe preço para a consciência. O voto não tem preço; tem consequências!

Não se deixe levar mais pela emoção que pela razão. O voto emocional ou passional, principalmente quanto fruto da decepção e da revolta, pode levar a escolhas das quais nos arrependeremos mais tarde.

Rejeite candidaturas cujas campanhas mostrem grandes recursos econômicos. O valor de uma candidatura não está nos gastos que faz, mas nas propostas que apresenta e na seriedade da vida pregressa. Rejeite igualmente candidaturas envolvidas em corrupção. Candidatosficha suja não podem ser aceitos. Por isso, as comunidades devem se empenhar em conhecer e divulgar a Lei da Ficha-Limpa (Lei 9840).

Lembre-se de que cargo político não pode ser emprego. Obviamente ninguém vai se apresentar dizendo que deseja lucrar com o cargo. Entretanto, existem sinais que podem ajudar a perceber esta intenção. Se, por exemplo, é alguém que já exerceu alguma função pública, verifique se as atividades desempenhadas foram de ajuda efetiva ao próximo, em especial os mais pobres, com o empenho pela transformação das causas dos sofrimentos, se foram apenas aproveitamento, através de medidas paliativas, ou, pior ainda, clara omissão diante do sofrimento do povo.

Acompanhe as pesquisas eleitorais, mas não se prenda a elas. Voto não é corrida em que o apostador tem que necessariamente ganhar. As pesquisas e outros instrumentos de avaliação não podem substituir a reflexão e o diálogo, muito menos o contato pessoal e mais direto com quem pede seu voto.

Procure estabelecer contato pessoal com os candidatos. Em virtude de inúmeras técnicas, as assessorias preparam os candidatos para dizer o que os eleitores desejam ouvir. Só o contato pessoal, com questões muito concretas a respeito do passado e do presente de cada candidato, é que se pode fazer um discernimento um pouco mais sólido.

Dentro do possível, sejam feitas reuniões com candidatos, para que, através do contato direto, verifiquem- se as intenções e as efetivas propostas. Estas reuniões devem ser preparadas através da pesquisa sobre a vida e os projetos de quem se apresenta para conversar. Questões diretamente ligadas à vida do local devem ser apresentadas, abrangendo, porém, as preocupações com a vida de todo o país e do nosso Estado do Rio. As propostas locais devem estar diretamente ligadas ao que se deseja para toda a nação, ainda que concretizadas no nível respectivo.

Lembre-se de que, numa democracia, o equilíbrio dos poderes é indispensável. Por isso, não restrinja suas preocupações somente ao executivo ou ao legislativo. Empenhe-se em discernir seu voto para esses dois poderes, pois é exatamente do seu equilíbrio que se corrigem erros, superam-se vícios e se avança na democracia e no efetivo respeito aos cidadãos, em especial os mais pobres e vulneráveis. Cabe recordar que uma reforma política é urgente e necessária.

Voto: escolha e acompanhamento

Pedimos às comunidades que acompanhem de perto os que se apresentam para cargos eleitorais, pois “a militância política é missão específica dos fiéis leigos que não se devem furtar às suas obrigações nesse campo” (CNBB, Cristãos leigos e leigas na igreja e na sociedade, sal da terra e luz do mundo, nº 261)

Voto: um gesto que começa agora!

Estas são as nossas orientações. Não são nem poderiam ser indicações nominais, pois isto feriria gravemente o Evangelho no qual cremos. Pedimos que elas sejam lidas muitas vezes, tanto individual quanto comunitariamente, pois são um convite a gastar tempo para se reunir com a família, os vizinhos e os amigos, mesmo que seja necessário reorganizar as atividades, numa vida que se torna cada dia mais agitada e corrida.

Pedimos também que estas orientações não fiquem restritas apenas aos católicos, mas atinjam o maior número possível de pessoas. A realidade eleitoral é um dever humano, que onera a todos e, por isso, o discernimento em comum precisa ser feito, envolvendo a todos, em especial os que, por frustração e descrença, preferem se abster.

De acordo com o jeito de ser da comunidade, forme-se pelo menos um grupo para dinamizar a reflexão. Nele, haverá pessoas com opções políticas diferentes, mas com maturidade suficiente para colaborar com o discernimento, não colocando as escolhas pessoais acima do bem comum e da ajuda às consciências.

Aproveitem as redes sociais, para divulgar horários e locais dos encontros com a presença de candidatos ou encontros em que as famílias, os vizinhos ou as comunidades vão conversar sobre o assunto. Diante de tantas notícias, que, no atual contexto, podem ser verdadeiras ou falsas, sejamos prudentes e busquemos a verdade dos fatos antes de compartilhar uma informação nas redes sociais. O uso das redes sociais depende de nós. Para tudo isso, o trabalho da Pastoral da Comunicação vai ser indispensável.

Voto: uma ação que se mantém todos os dias

Nossa preocupação com o urgente e angustiante momento eleitoral de 2018 não nos deve fazer esquecer de que precisamos criar uma cultura do acompanhamento de quem, por nosso voto, é colocado em funções públicas. As comunidades são, por isso, mais uma vez convocadas a criar grupos e outras instâncias para manter o contato com os que são eleitos, acompanhar o que acontece nas casas legislativas e perceber os rumos e as consequências dos atos do executivo.

Voto: uma atitude sempre rumo à unidade

Em tudo isso, não podemos nos esquecer de que a diversidade de escolhas políticas não deve se tornar divisão nem inimizade, ainda mais dentro das comunidades. A política é um serviço que se presta ao bem comum e, maior que todas as diferenças que nela venham a existir, encontra-se o Bom Deus, que a todos ama indistintamente. Onde, portanto, houver divisão, discórdia e conflito, que o bom senso seja urgentemente buscado, a fim de que o bem de todos seja atingido.

Senhora Aparecida, Mãe de Deus e Mãe dos brasileiros

Que a Senhora Aparecida – Mãe de Deus e de todo o Brasil, Mãe dos que se alegram e dos que choram, dos que sonham e dos que desistiram, dos que buscam uma pátria de paz, justiça, amor, concórdia e bem comum – interceda, como sempre, pelo povo brasileiro e, de modo especial, pelo Estado do Rio de Janeiro, para que o processo eleitoral seja vivido com respeito, corresponsabilidade e esperança.

>> Clique aqui e faça o download do documento: “Nossa fé diante do momento eleitoral – Orientações para as eleições de 2018”

Fonte: Arquidiocese do Rio de Janeiro



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